Em parte, sim: o diagnóstico acerta no jogo de ida
A crítica faz sentido para o primeiro jogo, em La Plata. O Flamengo terminou os 90 minutos sem acertar nenhuma finalização no gol de Muslera. Para um time que chegou como atual campeão, invicto na competição e com fama de elenco mais caro do continente, é um número que incomoda. Se o problema era a falta de chute, o jogo de ida mostra isso de forma bem concreta. folhadoleste
Mas a tese de que o time quis marcar “o gol mais bonito da Libertadores” encaixa pior. O que as coberturas descrevem é um time sem criatividade para sair da marcação, não um time apaixonado pelo próprio toque de bola.
O zero a zero de La Plata e o que o placar esconde
O time de Leonardo Jardim ficou preso à marcação forte do Estudiantes, principalmente no meio de campo, e não achou soluções para escapar dela. Isso é diferente de “respeitar demais”. Respeitar demais seria recuar e esperar. O que se viu foi um time que tentou jogar e não conseguiu, porque o adversário apertou a saída de bola e ocupou os corredores. acritica
Outro ponto: Rossi precisou defender duas vezes logo na primeira finalização do jogo, uma bola de fora da área de Baltasar Rodríguez aos dois minutos. O Estudiantes foi o time que mais incomodou, mesmo sem grande clareza. Quem saiu de La Plata sem ter perdido foi o Flamengo, e isso também faz parte da leitura. agorarn
O segundo jogo desmente a ideia de excesso de toque
Se a tese fosse correta, o Maracanã deveria ter mostrado um Flamengo trocando passes até a exaustão. Os relatos dizem outra coisa: o time começou ansioso, apostando em lançamentos e cruzamentos para a área, enquanto o Estudiantes respondia com frieza. Esse é quase o oposto de um time preso ao toque de bola. É um time com pressa, que bate bola na área sem ter construído a jogada. acritica
O problema parece mais de ritmo e de decisão do que de filosofia. Ou o Flamengo ficou preso na marcação, como na ida, ou se atirou em jogadas pouco elaboradas, como na volta. Nenhum dos dois caminhos produziu volume de chances claras.
O homem a mais que não virou gol
O dado que mais pesa contra o Flamengo no segundo jogo não é tático, é numérico. Mesmo com um jogador a mais desde o início do segundo tempo, depois da expulsão de um atleta do Estudiantes, a equipe brasileira não transformou a superioridade em gols. Meia hora ou mais de vantagem numérica, em casa, em semifinal, contra um time que já mostrava estar satisfeito com o zero. rede98
Aqui a crítica da “falta de coragem, atitude e objetividade” tem sua melhor sustentação. Contra dez, o espaço existe, a bola precisa circular rápido e alguém precisa assumir a finalização de fora da área quando a linha de defesa se fecha. Jogar com um a mais exige trocar a paciência da primeira etapa por incisividade, e isso não apareceu como se esperava.
Os pênaltis: onde a análise vira loteria, mas nem tanto
O Flamengo não perdeu no tempo normal. Perdeu na disputa de pênaltis, por 3 a 2. Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, enquanto Arrascaeta e Léo Pereira converteram as deles. Três defesas do goleiro em cinco cobranças formam uma noite de herói do outro lado, e dá para discutir se isso é mérito do goleiro, azar do cobrador ou escolha de batedores. agorarn
Dizer que o time “se acovardou” por causa de uma série de pênaltis é injusto. Mas o placar agregado também importa: duas partidas, 180 minutos, nenhum gol. Quando um time tem a camisa e o elenco do Flamengo e não faz um único gol em dois jogos de mata-mata, a pergunta sobre o ataque é legítima, qualquer que seja o desfecho nos pênaltis.
O mérito do Estudiantes
Um artigo que só aponta defeito no Flamengo está contando metade da história. O Estudiantes chegou à final depois de ser vice-líder do grupo atrás do próprio Flamengo, eliminar a Universidad Católica nas oitavas e superar o Corinthians nas quartas, vencendo os dois mata-matas fora de casa. É um time que aprendeu a sofrer, a defender com ordem e a decidir na hora certa. infobae
Também não foi um time passivo em La Plata. Mesmo sem muita clareza, foi mais ambicioso e criou as principais situações da partida de ida. Combinar ousadia em casa e frieza fora é uma receita que costuma funcionar em Libertadores, e o treinador Alexander Medina montou o time para isso. primicias
Desfalques e calendário
Parte da dificuldade criativa tem explicação concreta. Arrascaeta, Danilo e Jorginho eram baixas importantes no jogo de ida. Perder o principal armador da equipe pesa justamente no tipo de jogo que o Estudiantes impôs: marcação intensa no meio e poucos espaços para um passe vertical. diariodopara
Houve ainda o calendário. O Flamengo enfrentou o Bahia apenas quatro dias antes de receber o Estudiantes no Maracanã. Em outubro, com Brasileirão e Libertadores em paralelo, a rotação do elenco vira assunto delicado, e o desgaste não se resolve só com vontade. folhadoleste
Respeito, medo e a linha entre os dois
A palavra “respeito” merece cuidado. No futebol, respeitar o adversário é estudar o jogo, ocupar bem os espaços e não se expor a contra-ataques. Medo é outra coisa: é deixar de finalizar, de arriscar o passe vertical, de tentar a jogada individual quando o plano coletivo emperra.
O que os números do jogo de ida sugerem é que o Flamengo fez algo mais próximo do segundo caso, mesmo sem ter jogado recuado. Zero chutes no alvo em 90 minutos não costuma ser fruto de estratégia deliberada. Costuma ser resultado de um time que não encontra o caminho e também não força o erro do adversário com tentativas de longa distância.
A frase final da torcida
“Futebol não se ganha só com toque de bola” é verdade, mas o toque de bola, aqui, não foi o vilão. Em dois jogos, o que faltou foi alguém bater na bola com convicção quando a jogada coletiva não saía. Nenhum esquema se sustenta sem finalização.
A torcida acreditou, e com razão. Foi um time que chegou com sete vitórias e quatro empates, sem derrota, e que viu escapar o sonho do pentacampeonato. A decepção vem da distância entre o favoritismo e o que foi apresentado em campo, não de uma análise errada. rede98
O que vem pela frente
Sem a Libertadores, o Flamengo agora disputa apenas o Campeonato Brasileiro até o fim do ano. O próximo compromisso é contra o Atlético-MG, na segunda-feira, dia 26, às 20h, no Maracanã, pela 32ª rodada. A campanha no Brasileirão, onde o time lidera, passa a ser o único caminho para um título em 2026. acriticaagorarn
Do outro lado, a final está definida: Palmeiras e Estudiantes se reencontram numa decisão da Libertadores 58 anos depois, no estádio Centenário, em Montevidéu. A data é 28 de novembro. terrarede98


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